{"provider_url": "https://www.congonhas.mg.leg.br", "title": "Igreja do Ros\u00e1rio", "html": "<p>A Igreja devotada \u00e0 <strong>Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos</strong> foi constru\u00edda pelos escravizados residentes em Congonhas e regi\u00e3o, provavelmente na primeira metade do S\u00e9culo XVIII e conserva at\u00e9 hoje a singeleza daquela \u00e9poca. Por\u00e9m, outra vertente de pesquisas tende a intuir que a capela foi constru\u00edda em fins do long\u00ednquo s\u00e9culo XVII, o que n\u00e3o se pode precisar, uma vez que a data de sua constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 conhecida. Mas \u00e9 tido como certo, por alguns historiadores e por parte da popula\u00e7\u00e3o, que esta \u00e9 a mais antiga ermida da regi\u00e3o.</p>\r\n<p>Sua localiza\u00e7\u00e3o se remete a um ponto distante da minera\u00e7\u00e3o e garimpo do ouro na \u00e9poca, que acontecia \u00e0s margens dos rios Maranh\u00e3o e Santo Ant\u00f4nio, e dos ribeiros das \"Goiabeiras\", \"Macaquinhos\" e \"Soledade\".</p>\r\n<p>A capela do Ros\u00e1rio apresenta fachada despojada, seguindo as tend\u00eancias arquitet\u00f4nicas de seu tempo: front\u00e3o triangular com pequeno \u00e2ngulo, duas janelas a altura do coro e porta central de verga reta. O altar-mor em madeira recortada guarda bela imagem portuguesa de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, esculpida em madeira, e nas laterais, os santos pretos Santa Efig\u00eania e Benedito. No altar lateral, encontra-se Santo Expedito, ladeado por Santo Ant\u00f4nio e S\u00e3o Jos\u00e9. Na sacristia encontra-se a imagem de Nossa Senhora das Merc\u00eas e S\u00e3o Sebasti\u00e3o com caracter\u00edsticas de arte popular primitiva. No cimo do arco h\u00e1 um medalh\u00e3o com o desenho do mapa-m\u00fandi, sustentado por dois anjos. Como caracter\u00edstica do seu tempo, a sineira est\u00e1 separada da Igreja. A espessura das paredes de pedra \u00e9 de quase um metro. Sua pintura original foi feita com tinta de clara de ovo, sumo da fruta sangue de boi e \u00f3leo de flores.</p>\r\n<p>Um dos primeiros registros de batismo encontrados na Capela do Ros\u00e1rio datam de 1729, quando ali recebeu os \"santos \u00f3leos\" a crian\u00e7a de nome Maria Ant\u00f4nia da Concei\u00e7\u00e3o.</p>\r\n<p>Com a cria\u00e7\u00e3o da Arquidiocese de Mariana em 1745 \u00e9 sabido que nessa \u00e9poca j\u00e1 se festejava a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos.</p>\r\n<p>Registros do ano de 1748 informam que nessa \u00e9poca o capel\u00e3o do Ros\u00e1rio dos Pretos de Congonhas do Campo era o padre Ant\u00f4nio Rodrigues de Sousa.</p>\r\n<p>Em 28/03/1784 a Irmandade de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio de Congonhas do Campo celebrou o contrato com o guarda-mor e pintor Jo\u00e3o Nepomuceno Correa de Castro para pintura do teto da capela e outras obras da Igreja de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos.</p>\r\n<p>Ainda no final do s\u00e9culo XVIII foi inserida uma c\u00f3pia do altar lateral da Bas\u00edlica do Senhor Bom Jesus.</p>\r\n<p>Em 1825 as principais capelas de Congonhas eram o Santu\u00e1rio do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, a de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos e a de Santo Ant\u00f4nio, distante uma l\u00e9gua da sede, al\u00e9m da Matriz de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o.</p>\r\n<p>Em 26/06/1862 ingressava na Irmandade de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos de Congonhas do Campo Matheus Gomes Pimenta, irm\u00e3o do Arcebispo da Diocese de Mariana, Dom Silv\u00e9rio Gomes Pimenta. Em 10/05/1865 foi a vez de Porcina Maria Gomes de Ara\u00fajo Alves Pimenta ingressar na Irmandade de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos. Porcina era a M\u00e3e do ilustre Arcebispo de Mariana Dom Silv\u00e9rio Gomes Pimenta, e de Matheus Gomes Pimenta. Na mesma solenidade ingressaram tamb\u00e9m na Irmandade as suas filhas Maria Gomes Pimenta, Em\u00edlia Gomes Pimenta e Jacintha Gomes Pimenta, irm\u00e3s do prelado congonhense Dom Silv\u00e9rio.</p>\r\n<p>Antes do ladrilhamento do piso, os mortos pertencentes \u00e0 Irmandade de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio eram sepultados em seu interior. Ap\u00f3s a reforma do piso as ossadas foram transferidas para o cemit\u00e9rio Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o.</p>\r\n<p>As festividades s\u00e3o realizadas anualmente durante o m\u00eas de outubro com a tradicional festa das \"Congadas do Ros\u00e1rio e reizado\" e com os fieis rezando o ter\u00e7o na capela.</p>\r\n<p>Existe no interior da igreja uma anota\u00e7\u00e3o que faz men\u00e7\u00e3o aos nomes dos tr\u00eas escravos que mais trabalharam na constru\u00e7\u00e3o da igreja: Jo\u00e3o, Maur\u00edcio e Janu\u00e1rio.</p>\r\n<p>Em 2014 a igreja foi fechada para reformas, sendo reaberta ao culto e a visita\u00e7\u00e3o p\u00fablica em 17/12/2016, ap\u00f3s 2 anos de restaura\u00e7\u00e3o. A obra foi realizada pelo IPHAN com recursos do PAC \u2013 Cidades Hist\u00f3ricas, contemplando elementos estruturais como altares, forro, telhado, coro, tribuna al\u00e9m dos elementos art\u00edsticos: ret\u00e1bulo-mor e colateral, capela-mor, cimalhas da capela-mor e da nave, arco-cruzeiro, tarja, p\u00falpito, pias batismais, pinturas e novo conjunto de sineiras. A igreja foi reaberta com festejos c\u00edvico religiosos durante a celebra\u00e7\u00e3o do 78\u00ba anivers\u00e1rio de emancipa\u00e7\u00e3o de Congonhas.</p>\r\n<p>A igreja do Ros\u00e1rio, ap\u00f3s longo processo de invent\u00e1rio, recebeu a titula\u00e7\u00e3o de bem tombado pelo Munic\u00edpio com a promulga\u00e7\u00e3o do Decreto Executivo n\u00ba 3.343, de 11 de abril de 2002.</p>\r\n<p>A primeira metade do s\u00e9culo XVIII ficou marcada em Congonhas como a \u00e9poca de intensa religiosidade, traduzida pela constru\u00e7\u00e3o da maioria das Igrejas, que ainda hoje representam a f\u00e9 de seu povo.</p>", "author_name": "", "version": "1.0", "author_url": "https://www.congonhas.mg.leg.br/author/AndreCandreva", "provider_name": " ", "type": "rich"}