Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos

por André Candreva publicado 15/03/2018 16h44, última modificação 15/03/2018 16h44
Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos

Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos

Através de peregrinações entre vales e montes, de igreja em igreja foi sendo tecida a história do município, iniciada por aqueles homens impregnados de pó de minério e de fé. De igreja em igreja chega-se ao alto do morro Maranhão onde o português Feliciano Mendes, na segunda metade do século XVIII, fincou uma cruz tosca, e dedicando sua vida ao Senhor Bom Jesus do Matosinhos, deu início à construção do Santuário. Feliciano Mendes fizera uma promessa para recuperar a sua saúde perdida após muitos anos de trabalho na exploração de jazidas de ouro. Atendido, deu início às obras em 1757 e dois anos depois já estava pronto todo o corpo da Igreja. Uma vez mais religiosidade e trabalho se confundiam. A capela se erguia pelas mãos de Feliciano, que com um pequeno oratório do Senhor Bom Jesus do Matosinhos recolhia esmolas e donativos para a construção. As mesmas mãos que num gesto de humildade recolhia tais donativos, foram hábeis o bastante para traçar a grandiosa concepção do Santuário. Não existe nos registros nenhuma indicação com a relação ao risco e planta do Santuário, mas tudo leva a crer que Feliciano Mendes teria traçado o desenho, conhecedor que era das igrejas do Bom Jesus do Matosinhos, perto da cidade do Porto, em Portugal. E porque também o primeiro ermitão de Congonhas do Campo era "oficial de pedreiro", profissão mencionada em seu termo de entrada para a Ordem Terceira de São Francisco de Vila Rica, em 11 de janeiro de 1760. A morte o surpreendeu, em Antônio Pereira, a 23 de setembro de 1765, sem ter ainda terminado a sua igreja, que tinha até então três altares. Sobre o altar-mor, a imagem do Senhor crucificado vinha de Portugal, deixava paga a promessa.

 

As obras do Santuário foram crescendo com o tempo e com o precioso trabalho dos melhores artistas da época. O Santuário de hoje, em sua excepcional grandiosidade foi fruto da imaginação e sensibilidade de nomes importantes, como Manoel da Costa Athayde, Francisco Xavier Carneiro e Aleijadinho.

 

Toda a concepção do Aleijadinho e sua execução dos Passos e dos Profetas do adro, dão ao santuário uma majestade excepcional. A adequação das estátuas ao espaço arquitetônico que elas ocupam é perfeita. Em Congonhas, o gênio de Aleijadinho se libertou e foi aqui, que ele deixou as maiores obras-primas de toda sua arte barroca.

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