Igreja do Rosário

por André Candreva publicado 15/03/2018 15h45, última modificação 29/04/2026 09h20
Igreja do Rosário

Igreja do Rosário

A Igreja devotada à Nossa Senhora do Rosário dos Pretos foi construída pelos escravizados residentes em Congonhas e região, provavelmente na primeira metade do Século XVIII e conserva até hoje a singeleza daquela época. Porém, outra vertente de pesquisas tende a intuir que a capela foi construída em fins do longínquo século XVII, o que não se pode precisar, uma vez que a data de sua construção não é conhecida. Mas é tido como certo, por alguns historiadores e por parte da população, que esta é a mais antiga ermida da região.

Sua localização se remete a um ponto distante da mineração e garimpo do ouro na época, que acontecia às margens dos rios Maranhão e Santo Antônio, e dos ribeiros das "Goiabeiras", "Macaquinhos" e "Soledade".

A capela do Rosário apresenta fachada despojada, seguindo as tendências arquitetônicas de seu tempo: frontão triangular com pequeno ângulo, duas janelas a altura do coro e porta central de verga reta. O altar-mor em madeira recortada guarda bela imagem portuguesa de Nossa Senhora do Rosário, esculpida em madeira, e nas laterais, os santos pretos Santa Efigênia e Benedito. No altar lateral, encontra-se Santo Expedito, ladeado por Santo Antônio e São José. Na sacristia encontra-se a imagem de Nossa Senhora das Mercês e São Sebastião com características de arte popular primitiva. No cimo do arco há um medalhão com o desenho do mapa-múndi, sustentado por dois anjos. Como característica do seu tempo, a sineira está separada da Igreja. A espessura das paredes de pedra é de quase um metro. Sua pintura original foi feita com tinta de clara de ovo, sumo da fruta sangue de boi e óleo de flores.

Um dos primeiros registros de batismo encontrados na Capela do Rosário datam de 1729, quando ali recebeu os "santos óleos" a criança de nome Maria Antônia da Conceição.

Com a criação da Arquidiocese de Mariana em 1745 é sabido que nessa época já se festejava a devoção à Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

Registros do ano de 1748 informam que nessa época o capelão do Rosário dos Pretos de Congonhas do Campo era o padre Antônio Rodrigues de Sousa.

Em 28/03/1784 a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Congonhas do Campo celebrou o contrato com o guarda-mor e pintor João Nepomuceno Correa de Castro para pintura do teto da capela e outras obras da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

Ainda no final do século XVIII foi inserida uma cópia do altar lateral da Basílica do Senhor Bom Jesus.

Em 1825 as principais capelas de Congonhas eram o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, a de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e a de Santo Antônio, distante uma légua da sede, além da Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

Em 26/06/1862 ingressava na Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de Congonhas do Campo Matheus Gomes Pimenta, irmão do Arcebispo da Diocese de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta. Em 10/05/1865 foi a vez de Porcina Maria Gomes de Araújo Alves Pimenta ingressar na Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Porcina era a Mãe do ilustre Arcebispo de Mariana Dom Silvério Gomes Pimenta, e de Matheus Gomes Pimenta. Na mesma solenidade ingressaram também na Irmandade as suas filhas Maria Gomes Pimenta, Emília Gomes Pimenta e Jacintha Gomes Pimenta, irmãs do prelado congonhense Dom Silvério.

Antes do ladrilhamento do piso, os mortos pertencentes à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário eram sepultados em seu interior. Após a reforma do piso as ossadas foram transferidas para o cemitério Nossa Senhora da Conceição.

As festividades são realizadas anualmente durante o mês de outubro com a tradicional festa das "Congadas do Rosário e reizado" e com os fieis rezando o terço na capela.

Existe no interior da igreja uma anotação que faz menção aos nomes dos três escravos que mais trabalharam na construção da igreja: João, Maurício e Januário.

Em 2014 a igreja foi fechada para reformas, sendo reaberta ao culto e a visitação pública em 17/12/2016, após 2 anos de restauração. A obra foi realizada pelo IPHAN com recursos do PAC – Cidades Históricas, contemplando elementos estruturais como altares, forro, telhado, coro, tribuna além dos elementos artísticos: retábulo-mor e colateral, capela-mor, cimalhas da capela-mor e da nave, arco-cruzeiro, tarja, púlpito, pias batismais, pinturas e novo conjunto de sineiras. A igreja foi reaberta com festejos cívico religiosos durante a celebração do 78º aniversário de emancipação de Congonhas.

A igreja do Rosário, após longo processo de inventário, recebeu a titulação de bem tombado pelo Município com a promulgação do Decreto Executivo nº 3.343, de 11 de abril de 2002.

A primeira metade do século XVIII ficou marcada em Congonhas como a época de intensa religiosidade, traduzida pela construção da maioria das Igrejas, que ainda hoje representam a fé de seu povo.