31 de Agosto - Dia dedicado à memória de Dom Silvério Gomes Pimenta

por Reinaldo Sebastião da Silva publicado 29/08/2025 15h23, última modificação 29/08/2025 15h23
Dom Silvério, memória, bispo

Dom Silvério Gomes Pimenta foi uma das mais expressivas personalidades da vida brasileira nos séculos XIX e XX. Ele foi Arcebispo, escritor,jornalista, professor e orador destacando-se numa época em que a origem social e econômica marcavam o preconceito e o racismo nas relações entre as pessoas.

Silvério nasceu no atual distrito de Alto Maranhão, em Congonhas, no dia 12 de janeiro de 1840. Ele teve sua infância marcada pela pobreza e superou dificuldades materiais e sociais com dedicação aos estudos.

Foi ordenado padre aos 22 anos por Dom Viçoso, de quem se tornou auxiliar direto. Em viagem a Roma em 1864, dom Silvério esteve com o Papa Pio IX. O diálogo entre ambos foi em latim, grego, hebraico, alemão, inglês, francês e espanhol. Conta-se que a fluência nessas línguas surpreendeu o papa.

Mas, em uma época ainda marcada pelos efeitos da escravidão no mundo, a admiração não vinha de todos. Segundo contam historiadores, em uma outra viagem, já como Bispo de Mariana, Silvério teria feito um discurso em Latim na presença de Bispos e Cardeais do mundo inteiro quando um Cardeal italiano teria dito: “Niger, sed sapiens”. Negro, porém sábio. Deixando explícito o preconceito na fala do cardeal europeu.

Além de sacerdote, foi educador bondoso e compreensivo com seus alunos, além de jornalista, escritor e tradutor. Lecionou por décadas, formando importantes figuras da Igreja e da política. Publicou livros, cartas pastorais e circulares e fundou jornais católicos. Criou escolas e instituições de ensino profissionalizante para jovens pobres, buscando oferecer a outros as oportunidades que não teve.

Foi peça fundamental na instalação de várias ordens religiosas em Minas Gerais e, em 1920, tornou-se o primeiro prelado negro a integrar a Academia Brasileira de Letras.

Faleceu em 30 de agosto de 1922, deixando um legado de fé, cultura e serviço à educação e à justiça social. Um congonhense que nos enche de orgulho e admiração.