Qualidade do ar e a expansão da CSN em Santa Quitéria e no Esmeril são tema de Audiência Pública na Câmara de Congonhas
Dezenas de pessoas lotaram o plenário da Câmara para acompanhar a Audiência Pública que tratou sobre os projetos de expansão da CSN nas regiões de Santa Quitéria do Esmeril. A reunião solicitada pelo presidente da Câmara, vereador Averaldo Pereira (PL) contou com a presença da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) e durou mais de quatro horas.
A Audiência começou com a apresentação de um diagnóstico da poluição do ar em Congonhas, elaborado pela UFMG e outras seis universidades através de um convênio com a Prefeitura. O estudo apontou alta concentração de micropartículas, que são invisíveis a olho nu mas que causam riscos a saúde, durante todo o ano na cidade.
Segundo a professora Taciana Toledo, as concentrações chegam a estar acima dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde e atingem vários pontos da cidade, sendo mais críticos em bairros como Jardim Profeta, Pires e no distrito de Lobo Leite. O estudo também apontou alta presença de ozônio em Lobo Leite, outro poluente que afeta a saúde e o clima.
Após a apresentação do diagnóstico da qualidade do ar no município, o Diretor de Investimentos da CSN, Otto Levy, apresentou dados sobre os projetos de expansão considerados estratégicos para manter os níveis atuais operações da empresa para beneficiar o minério de itabirito, considerado de menor teor de ferro. Ele também afirmou o compromisso da mineradora com a criação de cinturões verdes e a descaracterização de barragens.
Sobre Santa Quitéria um vídeo institucional mostrou que a área foi escolhida por critérios técnicos que levaram em consideração o menor impacto socioambiental entre as três opções avaliadas.
Segundo a CSN, dos 30 imóveis que ficam dentro da área do decreto de utilidade pública do Governo do Estado, 27 já foram adquiridos com negociação amigável. A informação, no entanto, foi contestada por moradores e representantes da sociedade civil que também tiveram direito de fala na tribuna.
Os moradores relataram insegurança e preocupação com as desapropriações. Já os vereadores reconheceram a importância da empresa para a economia de Congonhas, mas, de forma unânime, cobraram mais diálogo e transparência com as comunidades. A defesa foi por um equilíbrio entre o desenvolvimento econômico, a qualidade de vida da população e a preservação do meio ambiente e do patrimônio cultural da cidade.
O vereador Averaldo agradeceu a disponibilidade da empresa em participar da audiência, mas afirmou que as informações apresentadas ainda são insuficientes para atender os projetos. Ele também disse esperar que a companhia, e os Poderes Executivo e Legislativo trabalhem de forma colaborativa na construção de medidas que melhorem a qualidade do ar e promovam uma mineração mais responsável e comprometida com a população.
Foto: Reinaldo Silva